sábado, 28 de março de 2009

"Os normais"



(Ler bem descontraído)
Salve, salve, chegou a hora dos desconhecidos, dos atrevidos, dos loucos e das amostradas.
Da eloqüência e do poder;
Da vitória do ser;
Estamos aqui ao vivo, para salvar a vida dos desenganados, para alegrar os tristes, conversar com os solitários, viver com os “de bem com a vida”;
Beber sem dirigir, beber sem lançar pela boca o conteúdo gástrico, beber, “viver”;
Comer comida gelada, acordar cedo, tomar suco de maracujá no café da manhã e ir para o trabalho e simm! Assistir aula bêbado depois de um problema em casa;
Correr para chamar um taxi, tomando café e ajeitando o cachecol, tudo isso em Nova Iorque;
Cantar no banheiro, chorar no banheiro, escorregar no banheiro;
Falar sozinho, sem ter um amigo imaginário;
Acreditar em Deus -“ave Maria!”, chamar a mãe;
Falar de mais, falar abobrinha, falar com os gestos, observar, nadar, correr, brincar!
Estamos aqui sempre que vocês precisarem, liguem....
...liguem para as suas vidas.

domingo, 15 de março de 2009

pensando no passado, formar idéias no futuro


Chegado à primavera, quando meu jardim incendiou. Lembro que estava lindo, com todos os detalhes que queria, mas mesmo assim, EU, o fiz arder. Cansei de cativá-lo, protegê-lo, tenho outras expectativas, não quero ser esse “jardineiro fiel”. E ninguém precisa se preocupar, porque descobrir que tudo que tinha nesse jardim era de mentira, de plástico, tudo colocado no local correto, sem nenhum erro, para que nada fossem notadas, as árvores, os pássaros, as borboletas... as folhas secas e a casa de madeiras podres eram de verdade, elas foram as que queimaram mais rápido, o céu límpido que via, era com tinta guache e uma iluminação boa. Tenho que admitir que foi um projeto quase perfeito, seria perfeito para aqueles que não desejam um jardim como o meu, como nos meus sonhos que nunca quero deixá-los de sonhar. O jardim era meu, mas não tinha sido eu que o tinha feito. Agora remanesceram cinzas, pó, um odor ruim e um terreno para refazer com as minhas próprias mãos “o jardim secreto”, que ninguém possa tocar, só assim sairá do meu jeito.

terça-feira, 10 de março de 2009

Requerimento


Senhor presidente,

Ivo Rodrigues Chaves Neto, CPF: ********, vem requerer de Vossa Senhoria o desligamento e a referida isenção de contribuição do ser amoroso, já que o mesmo deu baixa e deferido no CNA (Conselho Nacional dos Amorosos), no dia 10/03/2009, no caso, hoje.

Nestes termos pede deferimento.




João Pessoa, 10 de Março de 2009.



Ivo Rodrigues Chaves Neto
Assinatura

segunda-feira, 9 de março de 2009

Meus causos

“Oushe, é tu mermo leso” (Maria Antonieta )
É ela mesma, a filha de uma égua, que laçou meu coração.
Andava só nos becos e ladeiras do Pelourinho antes de vim pra Paraíba.
Chegando à Paraíba, ela se amulestou e foi morar no galpão no centro histórico e sozinha.
Mantendo seus cabelos cheirosos e com a cor rojo, como se diz lá nas Espanha, querendo provocar, pode uma coisa dessa, vixi Maria! Ela é linda que só a bexiga.
E como não bastasse o “rojo” dos seus cabelos, ela se vestia com mesma tonalidade.
Então chegou o grande dia, o dia que conheci a mulher. Eram seis horas da noite, a rua alaranjada, por conta do sol que tava indo embora, me encontrava sentado na beira de um bar bebendo um copo de refrigerante, quando vejo, ela, bonita, sedutora, rebolando, jogando charme, toda de vermelho, com o olhar sorrateiro, pronta pra dar o bote.
“oww Antonieta, pare com isso minha filha, você só provoca, bichinha!”
Antonieta, Antonieta, ali sim era mulher de verdade viu. Porque meu bichinho, que mulher da mulesta.
Chegou me olhando, olhou minha mesa, deu um sorrisinho e foi embora, sem da uma palavra, a como meu coração acelerou, correio que só.
Quando já estava totalmente escuro, fui mim borá pra casa, no meu caminho escuto uma voz de longe, bem feminina... “ei homi olha aqui, olha.” Menino como me virei, pois num era ela, na esquina me chamando! Tomei um susto, perguntei na hora se era comigo.
“Oushe, é tu mermo leso”.
Fui andando até ela, com um medo que ave Maria. “Pois não?” perguntei logo.
“eu tinha te visto, e gostei mais que de mais de tu , visse ?!”
E foi logo me levando pra o galpão, escuro, com paredes pichadas, com uns desenhos meio diabólicos, confesso que tive medo, mas logo ela me confortou nos seus braços e foi a melhor noite da minha vida.
Acordei no dia, de baixo de um pé de pau deitado no banco da praça com o sol já batendo na minha cara e sem entender nada, fui procurar o velho galpão e cadê ela... “sumiu”, foi o que o porteiro da embaixada da Espanha me falou... “ela saiu bem cedinho, pediu pra três caras te levar pra culá, e foi descendo por aí!”
Ave Maria! Perdi o amor da minha.
Agora eu me pergunto... será que me apaixono só por ilusões ?

Bem querer




Quero uma boa música;
Uma noite daquela;
Com a lua daquela;
Junto com o pôr-do-sol daquele;
Cerveja gelada;
Mulheres conversando;
Coqueiros balançando;
Dançar feito louco;
Comer com gosto;
Uma festa;
Recordar um amor antigo;
Filme antigo, alugado;
Acender um incenso
Pipoca com guaraná;
Abraço de mãe;
Do pai;
Do espírito;
Cheirinho de bolo quente;
Comer bolo quente;
Ter alguém especial;
Ser alguém;
Qualquer música na voz de Bethânia;
“Ter alguém especial”... e que ela goste de você.
Quero diariamente o bem querer, meu, junto com o seu.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Cena imaginaria

Ela: saia daqui!!!!! (chorando, gritando, com a mão apontada para a porta de madeira grossa).
Ele: vou mesmo, eu te odeio e te traí mesmo (gritando com o tom mais baixo do que o dela e olhando firme para os seus olhos chorosos).
Ela pula em fúria e da uma tapa no rosto DELE.
Ele: é por isso que não gosto mais de você e te traí! (com a mão no rosto, um olhar de fúria e virando para a porta, saindo e fechando com a mesma fúria.
Ela caída no chão agora, com as mãos abraçando o invisível em seguida arrastando o cabelo para o rosto junto com as lagrimas escorridas. Deita na cama macia e desarrumada, abraçando agora o travesseiro, sem conter as lagrimas.
Ela: por que você fez isso comigo e ainda debocha? Por queeee? (chorando e sussurrando).
A cena continua no outro dia, ela abrindo os olhos, olhando para a claridade que vinha da varanda, coberta pela cortina branca e fina. Ela levanta da cama, com o cabelo desarrumado e com a maquiagem borrada (preto). Afasta a cortina, e passa para o outro lado, vê a rua e o movimento, com a cabeça um pouco inclinada para fora.
Ela: Bom dia! (fala para si mesma).
Telefone toca, ela corre, afasta a cortina de novo, a cortina enrosca na perna, que quase a deixa cair.
Ela: Alô?
Ele: Amor? Desculpa, eu te amo, foi tudo por conta da raiva, a traição, o medo. (voz mansa e carinhosa)
Ela: ta bom AMOR, eu também te amo. (confortada).
Narrador: sua BESTA!
FIM.

domingo, 1 de março de 2009

Sucesso imprevisto.




Sonhei de novo.
Continuei a caminhar, entre as poças de água e o medo de voltar a ver o beco, não entendia o medo, mas sentia muito. Andando naquela rua encharcada, me lembrou um pouco a infância que tive, uma infância solitária mas consoladora, tinha que caminhar só e preparar minha própria alimentação. Então novamente estava só, mas agora em uma rua desconhecida e fria.

Aquelas pedras molhadas e escorregadias me faziam andar apoiando-me nas paredes dos prédios antigos, olhando para baixo sempre, fui vendo a água da chuva, agora findada, escorrendo em um pequeno córrego, perto da calçada. Designando meu espanto, vi em uma das poças um brilho, bem no meio. Chamou-me para ver mais de perto, vejo nitidamente que é uma aliança.

Pergunto-me, por que uma aliança? Que sentido tem em meu sonho trazer esse sinal? (O qual o considera). No meu próprio sonho questiono essa coisa.

Aproximo-me para pega-la, ponho meus dedos naquela água gelada e límpida, e a pego entre eles, a analiso e vejo que é uma aliança grossa e com somente um brilhante, tendo também algo gravado interiormente...
“Siga a luz”.

Enfim acordo com o alarde do poste rebentando com um estrondo e soltando flashes de luzes brancas. Esse mesmo posto leva a luz que iluminava meu sonho, que agora tenho que esperar para que chegue, porque tenho receio do escuro... Mas vou esperar amanhecer, que o sol vai me trazer a energia, para que eu possa acender minha própria luz e acabar esse medo do escuro.

E a luz do meu sonho? Aquela que tenho que seguir?
É essa luz que tenho que preparar amanhã, a minha luz.